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Something by George Harrison

Frank Sinatra told once this was the best love song of all times. I can’t argue with him. He who sang so many beautiful love songs, told the world, that George Harrison from The Beatles wrote the best. And I just have to say “YES! It is!”.

Something in the way she moves
Attracts me like no other lover
Something in the way she woos me

I don’t want to leave her now
You know I believe her now

Somewhere in her smile she knows
That I don’t need no other lover
Something in her style that shows me

Don’t want to leave her now
You know I believe her now

You’re asking me will my love grow
I don’t know, I don’t know
You stick around now it may show
I don’t know, I don’t know

Something in the way she knows
And all I have to do is think of her
Something in the things she shows me

Don’t want to leave her now
You know I believe her now

Fui Palhaço

Em verdade fui eu que fiz asneira. Tivemos ambos a culpa, mas eu fui aquele que não aguentou, e rebentei.

Se calhar rebentei porque não pensei, porque estava alcoolizado, é verdade. Tudo isso é verdade e não minto.

Mas o álcool não é desculpa, nunca foi, e nem quero que seja. O que fez foi impedir-me de pensar, e apenas me fez sentir. Sentir-me magoado, e enganado por ti.

Talvez até ciúmes, mas na altura, e ainda agora penso, que apenas fiz figura de palhaço. Aquela ideia de que só sou preciso às vezes, quando estás na merda, tu e tantos outros, explodiu como um tiro na minha cabeça.

“Estão a gozar comigo. E logo tu.”.

A verdade é que gosto de ti, tento escondê-lo por vezes mas, não consigo. Quando estou perto de ti como que uma aura apodera-se de mim, e pronto, ali fico com aquela cara de carneiro mal morto, quase a babar-me.

A verdade é que gosto de ti não por seres gira, porque és, mas sim pelo teu carácter, pela tua personalidade, pela tua capacidade de seres frágil e forte, por seres feminina quando tens de o ser, e amazona quando é preciso. Por seres amiga do teu amigo, por fazeres um esforço de brincar com a vida, quando na realidade apenas te apetece chorar. E mesmo quando estás triste, consigo ver aquele sorriso lindo que tens, e adoro quando o fazes por mim.

Mas este sábado gozaste com a minha cara. Se durante a semana até pensei que poderias estar triste, e a precisar de apoio, essa ideia desvaneceu-se no momento em que te vi. Babei-me é verdade, mas não consegui deixar de me sentir enganado, e de certa forma humilhado.

Talvez a culpa tenha sido minha, por criar tantas expectativas. Eu que raramente o faço, por saber os resultados que daí podem advir. Mas contigo, julguei sempre que fosse diferente. Contigo não me lembro de não errar. Como se algo em mim desligasse o botão do pensamento, e de repente apenas me deixasse sentir.

Sentir o teu perfume, o teu batimento cardíaco, a tua respiração. Sentir o delicado da tua pele, a tua mão a tocar na minha, e todos aqueles sonhos imaginados como que transmitidos por um simples toque.

A verdade é que nada isso acontece, e continuo aqui feito palhaço, à espera. Do quê? Não sei. Não me lembro. De ti. Talvez.

Charmeleon Like a Sir!!!

pokemonbattleroyale:

#5 Charmeleon by Michael Myers

Charmeleon Like a Sir!!!

pokemonbattleroyale:

#5 Charmeleon by Michael Myers

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Seu olhar by Seu Jorge

Aqui está um dos melhores interpretes que conheço

Anonymous
asks:
o que escreves é simplesmente... arrebatador... somo palavras tão simples conseguem ser tão fortes, tão cheias de histórias e significados... tão cheias de tudo... reconfortas qualquer pessoas... eu gosto do que escreves :)

brigado. sao coisas q sinto, e vivencias q tenho

Só tu, a uma segunda-feira de manhã

É segunda-feira, hora de trabalho, e chego à conclusão que não me apetece fazer nada. Ontem lembrei-me dela, assim do nada. E apercebi-me de que realmente sinto a sua falta. Eu que não sinto saudades de ninguém, nem da minha própria mãe.

Realmente não sei se são saudades, mas sinto a falta dela, é certo. Ontem apenas queria estar à beira-mar, mesmo estando a chover, a olhar o vazio do mar, e ali sentado com a água a correr pelo rosto, a disfarçar as lágrimas, dava-te a mão, segurando-a com cuidado e medo, para não te perder.

Perdi-te uma vez e não quero que aconteça de novo. Quero-te para mim, porque sim, porque gosto de ti, porque me sinto bem ao teu lado, porque me fazes sorrir, porque me desafias a ser mais, e melhor. A teu lado sinto um entusiasmo que há muito não sentia, e adoro ver-te. O teu sorriso, de tão querido que é, conforta-me o espírito, faz-me sonhar. O teu cabelo ao vento é um reflexo de um pôr-do-sol de um dia solarengo.

Já imaginei, mil vezes, talvez mais, um futuro a dois. Sonhámos juntos tantas vezes, e muitas mais virão. Dois filhos, um casal, uma casa só nossa, e assim ficamos até ao fim. De mão dada, a olhar o mar. Eu adoro o campo, e a floresta, a montanha, mas não vivo sem o mar. Tu tens uma ligação especial com ele.

Ambos temos as nossas vontades, os nossos sonhos e desejos, mas há muita coisa que nos une, e o que falta, o que sempre faltou foi a coragem de um pobre vagabundo de te dizer – Gosto de ti. Mais, muito mais, mas a palavra é demasiado forte e assustadora para se dizer assim num vazio de momento, de palavras, de tempo. É preciso tempo, algum tempo para que ela saia na altura certa, com a força certa para que não se perca.

À noite murmuro o teu nome, lembro-me dele todos os dias. Talvez esteja a dar em doido, mas isso é algo que eu sou há muito tempo. Mas por ti sou mais. Por ti, já percorri inúmeros quilómetros, palmilhei terra, asfalto e areia e não te encontrei. Tinha-te perdido.

Agora não sei, a dúvida permanece. Voltei a encontrar-te, a tocar-te, e algo aconteceu em mim. Aquele conforto, aquele calor, regressou a um corpo já por si frio, e que mais gelado havia ficado, quando te deixou.

Não me és indiferente, e sabes disso. O teu olhar relembra-mo tantas vezes, esse castanho âmbar, ali escondido, visto por quem queres.

Desde aquele dia que me prendeste. A culpada foste tu. Tu e a minha curiosidade, tu e a minha vontade. Desde então tudo ficou melhor.

breadpao:

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Crónicas do Moleskine II

É sábado, estou sentado no café. Peço um cappuccino. Apetece-me variar.

Toda aquela vontade de sair de Leiria, de ir passear se desvaneceu. Apenas quero descansar, pensar um pouco e apreciar a vida.

Ando pela cidade. Dou voltas e voltas pelos bares. Caras conhecidas, amigos, colegas, pessoas sem interesse e outras cheias dele, vadios, prostitutas e “mitras”. Uma variedade de gente, que muito provavelmente nunca mais vou ver.

O meu pedido chegou. A empregada (gostava de saber o seu nome) é bem gira, simpática, com um sorriso perolar (ainda lhe vou perguntar o nome). Provo o cappuccino, não é do melhor que já bebi mas, não anda longe.

Vagueio pelas ruas à procura de algo, de alguém. A demanda é necessária. A minha mente há muito que se perdeu nesta cidade. Com ela foi meu coração. Fugiram os dois faz tempo e, só agora me decidi a procurá-los.

Os sons da multidão ecoam pelas paredes, não é de agora, é de antes. Dos milhares que por aqui passaram, durante anos a conversar. Estas pedras de tantas calçadas, de paredes inacabadas têm mais história do que eu posso imaginar.

Volto ao café. Olho pela janela e nada de novo. Os mesmos carros estacionados, o mesmo muro de betão. À minha frente um triângulo amoroso (não são mas, gosto de pensar que sim). A música dos Daft Punk ressoa pelo estuque, os graves fazem tremer a tinta e o tijolo. Aquela máquina de café não pára.

“One more time” é realmente o que peço, só mais uma vez.

Aventuro-me por vezes, nessa loucura, nessa hipótese remota de que um dia, desenhe uma obra de arte. Algo que eu admire. Vai ser difícil.

A minha arte é outra mas, ainda não a descobri.

Adivinha quem voltou? A minha mente. Aquela que havia desaparecido de dentro de mim, decidiu regressar. O problema foi o coração não ter vindo com ela. Agora sou meio. Sou razão. Não sou emoção. E assim, deste jeito, permaneço solitário, sozinho, num mundo regido por pares, por dois e não por um.

Peguei no carro. Saí de casa e pus-me a conduzir. Sem rumo, sem destino. Andei durante quilómetros, e mais outros tantos viajei. Quando finalmente parei. Quando finalmente parei, só vi o mar à minha frente. Estava na praia, não sei bem qual, uma qualquer. Não me interessa. Desliguei o motor, tirei o cinto. Abri a porta e antes de sair, descalcei os sapatos. Coloquei um pé de fora e, deixei-o suavemente enterrar-se na areia até ao tornozelo. Depois girei no assento e coloquei o outro. Outra vez até ao tornozelo, bem devagar, deixei a areia chegar. Estava fria e molhada.

Finalmente e já decidido, saí do carro. Atrás de mim fechei a porta, o carro e caminhei até à beira-mar. A areia mais molhada ficava e, os meus pés denunciavam-me, deixando um rasto de pegadas para trás. As ondas batiam gentilmente no princípio das minhas canelas. Aquele som reconfortante da água enchia-me os ouvidos e a alma.

Parei de andar e caí sentado na areia. O sol lá longe, no horizonte brilhava, parecia uma laranja enorme iluminada. Já era tarde, estava a pôr-se.

Acabei por me deitar, prostrado naquele areal imenso. Olhei para o céu azul, que já não estava tão azul. O sol contaminava-o com os seus tons laranja, vermelho e um pouco de amarelo.

Olhei para o céu e fechei os olhos.

Sonhei, sonhei muito e, durante muito tempo. Sonhei comigo, com ela, com a minha família, os amigos, com o trabalho. Sonhei com ela. Parei de sonhar quando ela apareceu. Acho eu que parei. As imagens continuavam a passar e eu, nada podia fazer. Parecia um filme, daqueles do cinema, em que não há “stop”, “rewind” ou “forward”, apenas existe a tecla “play”. O problema é que no cinema, podemos sair se não estivermos a gostar, mas ali, era impossível.

Estava preso, acorrentado num mar de memórias que me assombravam e ainda assombram. O medo de perdê-la sempre foi maior do que, a vontade de a ter. Foi o maior erro da minha vida. Apaixonar-me por ela. Amá-la de verdade. Logo eu que julgava o Amor, um sentimento tão falso e pretensioso. Igual a um político que muito promete e nada cumpre.

Errei, enganei-me profundamente. O Amor acabou por ser mais, muito mais do que esperava. E, fez-me sofrer muito mais do que imaginara.

Tê-la comigo era ser feliz. Abraçado a ela e à felicidade. Não precisava de mais nada. Apenas dela. É uma loucura, eu sei, mas por breves momentos sentia-me assim. Invencível, de peito feito, igual ao Super-Homem. Ela era a minha força e a minha “kryptonyte”. Ela era a minha Dalila.

Abro os olhos. O sonho acabou. Está escuro. O céu está negro, o sol desapareceu. A lua branca paira nas trevas, que se apossaram daquele pedaço de… não consigo pensar. Ela ainda aqui está. Já passou mais de um ano mas, ela ainda aqui está.

Levanto-me. Estou a tremer de frio. Os pés enrugados pela água não me respondem, e as mãos dormentes quase sem sangue, nem as consigo mexer. Tento correr. Não consigo. Quero correr. Quero fugir daqui. Não consigo. Há algo que me prende. As dores tomam conta de mim. Não consigo pensar. Ela não me deixa, nem as dores.

Finalmente chego ao carro. Não há tempo para me calçar. Vou assim. Depois logo se vê. Pego no carro e faço-me à estrada. Desta feita sei onde quero ir, onde tenho de ir.

O café está mais cheio e, já não tenho cappuccino. Já não tenho companhia. Nunca a tive. Ainda tento enganar-me mas, não consigo fugir da realidade. A realidade é que estou só.

A empregada é mesmo gira.

A cidade começa agora a despertar. Os adolescentes saem de casa, depois de mais uma semana de rotina. Já sei o que vão fazer. O mesmo de todos os sábados à noite. Beber álcool e ir para a discoteca. Tanto querem escapar da rotina que acabam por a tornar parte necessária de si.

Estou quase a dormir. A pouca luz, o barulho constante da batida do bombo e o cansaço estão a fazer os seus estragos. Os olhos já me começam a pesar. Estou cada vez mais ensonado.